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Lawonder

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  Fotografare l'attimo...quel dolce sorriso che mi fa navigare verso terre lontane con sulle labbra l'eccitante sapore di luoghi sconosciuti...quello sguardo intenso che oramai mi è rimasto indelebilmente impresso nell'anima...quel ritmo vitale che nasce dal profondo e circonda ogni cosa...quell'odore di libertà che culla i miei pensieri...quell'accecante e pungente profumo di sole...quella città canterina con voci di ubriachi che intonano una melodia senza tempo...e quel silenzio che permette allo spirito di ascoltarsi...Fotografare e ricordare...Fotografare e far vedere a tutti come appare a me questo folle mondo, forse un po' trasfigurato, ma così dannatamente vivo!
alice *:o)


O Mundo Perfeito

Deus das almas vagabundas, Deus fugido dos deuses, atende-me. Tu, destino que proteges espíritos loucos e errantes como o meu, escuta-me.
Vivo no meio de uma raça de homens perfeitos e eu o mais imperfeito de todos os homens. Eu, um caos humano, uma nebulosa de confução, movo-me entre mundos perfeitos, entre povos regidos por leis exemplares, que seguem uma ordem pura, de pensamentos catalogados, de sonhos ordenados, de visões inscritas e registradas. As suas virtudes, meu deus, estão medidas, os seus pecados estão calculados pelo seu peso e medida e até os inumeráveis actos que acontecem no crepúsculo, o que não è pecado nem virtude, estão registrados.
Aqui, os dias e as noites dividem-se em períodos exactos, e as estações são governadas por normas de precisão impecável. Comer, beber, dormir, cobrir o corpo e depois cansar-se. Tudo a seu tempo. Trabalhar, jogar, cantar, depois entregar-se ao descanso, tudo na hora que o relógio determina. Pensar e sentir de modo definido e programado depois de pensar e sentir quando certa estrela sobe no longíquo horizonte. Roubar o vizinho com um sorriso, dar uma prenda com gesto gracioso, louvar com prudência, censurar com cautela, destruir uma alma com uma só palavra, queimar um corpo com um sopro e a seguir lavar as mãos depois de cumprida a tarefa diária. Amar de acordo com a ordem establecida, divertir-se segundo o que se combinou, adorar adequadamente os deuses, enganar o diabo com artifício e depois esquecer tudo como se a memória tivesse morrido.
Imaginar com um fim determinado, projectar cartas considerações, ser feliz com discrição, sofrer com nobreza depois de esvaziar a taça para no dia seguinte poder enchê-la de novo.
Todas estas coisas, meu Deus, estão concebidas com previsão, criadas pela vontade, mantidas com cuidado, governadas com regras, dirigidas pela razão e depois mortas enterradas. E até os seus túmulos salientes que moram na alma humana têm cada um número e marca. É um mundo perfeito, um mundo de excelência consumada, um mundo de coisas supremas e maravilhosas, o fruto mais maduro do Paraíso, o pensamento que rege o universo.
Mas porque tenho de viver nele, meu Deus? Eu que sou a imatura semente de uma paixão insatisfeita, louco vendavel que não vai para Oriente, nem para Ocidente, fragmento aturdido de um planeta que sucumbiu envolto em chamas?

Khalil Gibran "O Louco"

 

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